É fácil responder a pergunta do título deste post, em se tratando do novo filme de Nancy Meyers... A grande maioria dos conhecedores da obra da diretora responderia algo dessa natureza.

Responsável por filmes como O Amor não tira férias, Alguém tem que ceder, Do que as Mulheres gostam e Operação cupido (filme que lançou a carreira da então pequenina Lindsay Lohan), a diretora/roteirista sempre se especializou em comédias românticas, principalmente em tramas que envolviam os eternos conflitos ideológicos entre os sexos. Filmes que geralmente tratam com leveza de nossos dilemas amorosos: assuntos complicados, cotidianos, universais. Simplesmente complicado não poderia ser diferente desta fórmula, porém, ultrapassa suas barreiras.

O filme narra a vida de Jane Adler (vivida por Meryl Streep, sublime ao interpretar as nuances emocionais de seu personagem com sua delicadeza habitual), uma cinquentona divorciada há mais de 10 anos, que aparentemente nunca se recuperou de sua separação com o pai de seus 3 filhos, interpretado por um ótimo Alec Baldwin (nos mostrando definitivamente ter acertado em sua mudança na carreira por uma veia mais cômica). Os dois, inesperadamente, voltam a se envolver, e os tais dilemas começam a pipocar na cabeça da protagonista: Será que ainda existem faíscas entre os dois? Eles mereceriam uma segunda chance? O divórcio foi causado por uma incompatibilidade irreconciliável ou fruto de uma época muito conturbada? Ambos mais maduros e com menos responsabilidades (carreiras estáveis, filhos adultos...), seria tudo diferente? Perguntas, como antes dito, universais. Como se já não bastassem tantos dilemas, eis que surge um terceiro elemento: inicia-se um flerte entre Jane e seu arquiteto, interpretado pelo comediante Steve Martin (tentando fazer um papel sério, sem graça, sendo peça destoante do filme), e as dúvidas aumentam: Com quem a protagonista deve ficar no final? O bonzinho sem graça, também traído pela ex mulher e com um currículo sem falhas morais ou seu ex marido, pais de seus filhos, eterno galanteador, que a traiu 10 anos atrás por uma mulher muito mais nova, mas pedindo com lábia de advogado por uma segunda chance, demonstrando estar profundamente arrependido e disposto a recomeçar? Essa é a premissa central do filme, que perdura até o instante final. Entretanto, o trunfo do filme está em sua imparcialidade. Em nenhum momento sentimos qualquer tipo de influência da diretora em nos fazer torcer por um ou por outro, nos mostrando facetas positivas e negativas de cada um, transformando-os em personagens verdadeiramente humanos.

Diferentemente de seus filmes antecessores, Nancy Meyers consegue mostrar evolução como roteirista e diretora, conduzindo o filme de forma a nunca cair no dramalhão nem em comédia pastelão, sabendo combinar tons cômicos e dramáticos de forma a coexistirem no mesmo plano. Desta vez, o filme inteiro é uma boa mistura dessas sensações, dando uma leveza maior ao espectador, principalmente aquele mais exigente por comédias românticas inteligentes. Abandonando os clichês habituais das comédias românticas, Meyers faz um filme sobre dilemas complicados de forma simples e eficiente. Respondida a pergunta inicial...

Nota: 7,5
Daniel Hetzel
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