Como falar de um filme que é considerado um dos símbolos dos anos 80, e que habita até hoje a imaginação de uma geração inteira, saudosistas por uma boa diversão e muitas gargalhadas? Esse é “Mulher nota 1000” (Wierd Science), filme de 1985 dirigido pelo já saudoso John Hughes, falecido em agosto de 2009.

Para entender a obra, se faz necessário conhecer e entender o criador. O trabalho de Hughes, tanto como diretor quanto como roteirista e produtor, foi extensamente copiada, mas sua assinatura cinematográfica é facilmente perceptível em suas obras. Especialista em comédias teen, subgênero muitas vezes rotulado como “besteirol americano”, Hughes soube explorar como ninguém este nicho, utilizando-se de uma arma básica da sétima arte, mas costumeiramente esquecida pela grande maioria dos seus colegas de trabalho: Um bom roteiro. Roteirista de todos os seus filmes, Hughes sabia que para se fazer uma boa comédia, era importante trabalhar temas originais, principalmente em se tratando de filmes para um público jovem. E nem o maior crítico de seu legado ousaria criticá-lo por falta de originalidade. Mulher nota 1000 é um ótimo exemplo disso.

Apesar da trama central do filme ser a clássica situação de dois nerds fracassados com problemas amorosos e de convívio social e auto-afirmação, a forma que eles tentam solucionar o problema é, no mínimo, inusitada: Criam sua mulher ideal no computador de casa, após uma tempestade à La Frankenstein, uma bela fusão que homenageia a ciência de outrora e a ciência que estava por vir. A partir daí, seguimos as desventuras dos dois jovens atrapalhados, Wyatt e Gary (este último interpretado por Anthony Michael Hall, astro de outros filmes famosos de Hughes) ao lado da belíssima mulher nota 1000 do título, interpretada por Kelly LeBrock, uma modelo de sucesso na vida real que havia se tornado muito conhecida após sua participação no filme A dama de vermelho, com Gene Wilder.

Os detalhes do filme é que o tornam irresistível, mesmo após tantos anos: a cena no bar de blues; o hilário irmão mais velho de Wyatt, interpretado por Bill Paxton antes da fama; o casal de velhinhos tornados em estátuas sorridentes e presos dentro do armário; o papel do clássico brutamontes interpretado por um Robert Downey Jr. muito antes da fama; os vários truques de mágica da “bruxa” nota 1000, e tantas outras situações divertidíssimas que levam este eterno clássico dos anos 80 a ter um local perene em nossa memória.

Nota: 8,0

Daniel Hetzel

Curiosidades: O filme deu origem a uma série de televisão, que foi ao ar entre 1994 e 1997.

Uma característica dos filmes de John Hughes é a apresentação de cenas extras, após os créditos finais. Curiosamente, o filme mulher nota 1000 não possui cenas adicionais, apesar de criarmos tal expectativa, para saber que fim levaram os avós de Wyatt, que foram petrificados e aprisionados dentro do armário...

Outros filmes de John Hughes como Diretor:

Gatinhas e Gatões; Clube dos cinco; Curtindo a vida adoidado; Antes só que mal-acompanhado; Ela vai ter um bebê; Quem vê cara não vê coração; A malandrinha

Outros filmes de John Hughes como Roteirista:

A Garota de Rosa Shocking; Férias Frustradas 1 e 2; Esqueceram de Mim 1 e 2; Beethoven 1 e 2; Denis, o pimentinha; 101 dálmatas

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