
O novo filme dirigido por Nora Ephron representa uma evolução em sua carreira, mas ainda longe de atingir o nível que se esperava dela desde o início de sua carreira, quando ainda era apenas uma talentosa roteirista emergente em Hollywood.
Com o roteiro de "Silkwood - o retrato de uma coragem" em 1983, foi indicada para o oscar de melhor roteiro original naquele ano e, menos de uma década depois, dirigiu seu primeiro filme, o mega sucesso Sintonia de amor (Sleepless in Seatle), catapultando a carreira de Tom Hanks e Meg Ryan, astros do filme. Desde então, sempre se esperava aquele "algo mais" em seus próximos filmes, mas muitos foram completos fracassos, como "Michael - anjo e sedutor" e "Bilhete premiado", até o recente "A feiticeira", execrado por público e crítica internacional. Ephron resgatou, inclusive, sua dupla de protagonistas de sucesso em "Mensagem para você", mas nem Tom Hanks e Meg Ryan novamente reunidos foram suficientes para chamar a atenção dos críticos para seu trabalho.
Eis que surge, enfim, Julie & Julia, e aqui vai a dica para qualquer diretor em crise de carreira: basta colocar em seu elenco, uma atriz que atende pelo nome de Meryl Streep. Seria injustiça dizer que o único mérito do filme é a incrível performance de Streep, que interpreta Julia Child, famosa autora de livros de culinária e apresentadora de televisão norte-americana, pioneira em sua época, e responsável por trazer aos americanos a sofisticação do paladar francês. A diretora, desta vez, conseguiu criar uma trama agradável de se ver e pelos personagens carismáticos e bem trabalhados, apesar de serem baseados em personalidades e histórias reais.
Mas, apesar de todo elogio que possa ser feito, com justiça, ao filme e à Ephron, certamente nada disso teria sido possível sem a atuação impecável de Meryl Streep, que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Alguns críticos consideraram seu trabalho mais caricato, mas basta ver algum video da verdadeira Julia Child para se ter uma idéia do quão fielmente idêntica Streep buscou se tornar.
Porém, mesmo com tamanho trunfo nas mãos, o filme não pode ser considerado um grande filme. Desta vez, o roteiro é fraco, não conseguindo prender o interesse do espectador do início ao fim. Além disso, outra enorme problemática do filme é a atuação sofrível da segunda protagonista do filme, Amy Adams, interpretando Julie Powell, uma novaiorquina aspirante a escritora que consegue realizar seu sonho após o estrondoso sucesso de seu blog, cuja temática eram suas tentativas diárias em executar as famosas receitas de Julia Child. Esta última jamais aprovou o uso de seu nome ou de suas receitas para a publicação do livro de experiências de Julie Powell, considerando tal ato como plágio e charlatanismo.
Talvez tenha sido Julia Child, revirando-se em sua cova, que criou um tom tão destoante entre as duas partes do filme: duas histórias completamente independentes, tratando de fatos em tempo e espaço sem o menor elo de comunicação, criando um verdadeiro abismo entre elas. Bon appétit? Somente pelo prazer em ver Streep atuar.
Com o roteiro de "Silkwood - o retrato de uma coragem" em 1983, foi indicada para o oscar de melhor roteiro original naquele ano e, menos de uma década depois, dirigiu seu primeiro filme, o mega sucesso Sintonia de amor (Sleepless in Seatle), catapultando a carreira de Tom Hanks e Meg Ryan, astros do filme. Desde então, sempre se esperava aquele "algo mais" em seus próximos filmes, mas muitos foram completos fracassos, como "Michael - anjo e sedutor" e "Bilhete premiado", até o recente "A feiticeira", execrado por público e crítica internacional. Ephron resgatou, inclusive, sua dupla de protagonistas de sucesso em "Mensagem para você", mas nem Tom Hanks e Meg Ryan novamente reunidos foram suficientes para chamar a atenção dos críticos para seu trabalho.
Eis que surge, enfim, Julie & Julia, e aqui vai a dica para qualquer diretor em crise de carreira: basta colocar em seu elenco, uma atriz que atende pelo nome de Meryl Streep. Seria injustiça dizer que o único mérito do filme é a incrível performance de Streep, que interpreta Julia Child, famosa autora de livros de culinária e apresentadora de televisão norte-americana, pioneira em sua época, e responsável por trazer aos americanos a sofisticação do paladar francês. A diretora, desta vez, conseguiu criar uma trama agradável de se ver e pelos personagens carismáticos e bem trabalhados, apesar de serem baseados em personalidades e histórias reais.
Mas, apesar de todo elogio que possa ser feito, com justiça, ao filme e à Ephron, certamente nada disso teria sido possível sem a atuação impecável de Meryl Streep, que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Alguns críticos consideraram seu trabalho mais caricato, mas basta ver algum video da verdadeira Julia Child para se ter uma idéia do quão fielmente idêntica Streep buscou se tornar.
Porém, mesmo com tamanho trunfo nas mãos, o filme não pode ser considerado um grande filme. Desta vez, o roteiro é fraco, não conseguindo prender o interesse do espectador do início ao fim. Além disso, outra enorme problemática do filme é a atuação sofrível da segunda protagonista do filme, Amy Adams, interpretando Julie Powell, uma novaiorquina aspirante a escritora que consegue realizar seu sonho após o estrondoso sucesso de seu blog, cuja temática eram suas tentativas diárias em executar as famosas receitas de Julia Child. Esta última jamais aprovou o uso de seu nome ou de suas receitas para a publicação do livro de experiências de Julie Powell, considerando tal ato como plágio e charlatanismo.
Talvez tenha sido Julia Child, revirando-se em sua cova, que criou um tom tão destoante entre as duas partes do filme: duas histórias completamente independentes, tratando de fatos em tempo e espaço sem o menor elo de comunicação, criando um verdadeiro abismo entre elas. Bon appétit? Somente pelo prazer em ver Streep atuar.
Nota: 6,5
Daniel Hetzel


Concordo plenamente! Não gostei do filme, achei extremamente pretenciosa a atitude da Julie Powell, personagem do filme e autora do blog que deu origem ao livro. Achei de uma profunda falta de criatividade, o fato de ela reescrever as receitas de Julia Child, como se os americanos fossem leigos demais para entender o livro de receitas original. E, como hoje em dia, os meios de comunicação estão muito mais fortes e presentes do que os comparados à época de Julia Child, Powell acabou vendendo milhões de cópias de seu livro, e, como se não fosse suficiente, milhões de dólares com seu filme. Tanto é que conseguiu pagar o cachê de Meryl Streep. Talvez essa alta contratação fosse a única maneira de seu filme ser visto com resquícios de bons olhos...