O novo filme de Milla Jovovich (trilogia Resident Evil, Quinto elemento) começa de forma, no mínimo, inusitada: A atriz, falando sob seu nome e não seu personagem, atesta a veracidade da trama, e alerta o público sobre as fortes cenas "reais" que iremos presenciar.

Na cidade de Nome, no Alaska, ocorrem vários casos de insônia, que mais tarde se comprovam serem casos de abdução alienígena. Dra.Tyler, psiquiatra que analisa diversos pacientes com quadro equivalente, inicia um tratamento que consiste em confrontar suas fobias desconhecidas por meio de regressão hipnótica. A partir daí, se inicia uma sequência de suicídio e comportamentos psicóticos desencadeados por puro pânico, e a trama tenta convencer o espectador a veracidade dos acontecimentos mostrando de forma paralela, gravações reais dos mesmos acontecimentos mostrado pelos atores. O maior problema é que esqueceram a principal máxima de toda boa mentira: Soar como verdade.

Em se tratando de um tema como abdução alienígena, explorado à exaustão pela famosa série Arquivo X e por inúmeros outros filmes e seriados, o público mais escolado no assunto precisa de argumentos minimamente convincentes para comprar a idéia. E Contatos de 4º grau é tudo, menos convincente. O filme levantou suspeitas e suscitou investigações, que rapidamente comprovaram a farsa. Não existe nem nunca existiu nenhuma Dra. Abigail Tyler clinicando no Alaska, e os sites sobre suas supostas pesquisas foram todos inventados e colocados no ar pouco tempo antes da estreia do filme, como parte de uma campanha publicitária. E, para piorar, a Universal Pictures, produtora do filme, se recusou a comentar o caso.

Nem é preciso comentar o tiro que o filme deu no próprio pé ao mostrar a total perda de credibilidade da Dra. Tyler, ao admitir suas alucinações quanto à morte do marido e seu semblante completamente psicótico no final do filme. Beira o ridículo quando, já nos letreiros finais, nos informam que NENHUM dos outros personagens do filme (o filho da Dra. Tyler, o xerife da cidade, os policiais envolvidos no incidente, seu colega psiquiatra, o especialista em sumério...), salvo a suposta Dra. Tyler, deu qualquer tipo de declaração à respeito dos acontecimentos do filme.

Interessante notar que, em todas as cenas "reais" filmadas, na hora H, a câmera misteriosamente entra em pane. Por todos esses motivos, o filme causou revolta nos moradores da pequena cidade do Alaska, sob a alegação de terem considerado o filme desrespeitoso. como se tudo isso não bastasse, a tal Dra. Tyler, no filme, se chama Abigail Elizabeth Tyler, iniciais de AET ou, em inglês, “uma E.T”. uma Extra-Terrestre... Alguém sentiu saudades de Arquivo X?

Nota: 1
Daniel Hetzel
1 Response
  1. Bruna Says:

    Eu não consigo exprimir em palavras o que sinto quando me lembro de ter perdido 2 horas da minha vida vendo esse filme horrendo. Um filme que, por ser fictício (vale salientar que já não gostei do filme quando achava que era uma história real), tinha tudo para inventar o que quisesse... O autor do filme poderia inventar uma história de vergonha, com personagens que não fossem loucos alucinados. Poderia inventar uma história onde aparecessem seres alienígenas de fato. Enfim, o filme poderia ser o que quisesse ser. Mas não foi. Para a minha infelicidade e a de muitos, não foi nada, a não ser uma perda de tempo, dinheiro, e recursos cinematográficos. Espero muito em breve, ver novamente a Milla Jovovich com bons olhos em Resident Evil 4, para apagar da lembrança a fictícia Dra Abigail Tyler. Apagar tão bem apagado, quanto os alienígenas apagaram a mente das pessoas desse filme horrendo...


Postar um comentário