"Je Vous Salue, Marie" (traduzido no Brasil originalmente como "Ave Maria"), filme do reconhecido diretor francês Jean-Luc Godard filmado em 1985, é uma típica obra autoral. O enredo nos mostra uma perspectiva diferente sobre a concepção da Virgem Maria e suas consequências. O nascimento de Jesus fica em segundo plano, focando completamente na visão intimista de Maria e seus embates psicológicos e físicos, sua dicotomia interna entre o corpo e a alma. Reflexões profundas sobre nosso papel na Terra, o papel do Divino, antigos debates sobre "de onde viemos" e "para onde vamos", tudo é abordado no filme de forma magistral, com uma fotografia que nos faz contemplar o verdadeiro divino que nos cerca.O tema central da concepção de Maria é transportada para os dias atuais, e provoca o espectador com as mesmas questões filosóficas de outrora, demonstrando a força milenar de tais questionamentos. A busca por este equilibrio interno, entre corpo e alma, nunca é bem sucedida. Pelo contrário, mostra-se, durante todo o filme, a necessidade do ser humano em escolher um dos dois mundos: a carne, a sexualidade, suas necessidades físicas primordiais, instintivas; ou a alma, a espiritualidade plena e imaculada, a pureza absoluta, a negação de todos os nossos instintos e sentidos. Godard nos mostra sua visão de Maria, bem diferente do imaginário popular: ao invés da passividade em pessoa, uma mulher de personalidade forte, que domina a situação (pelo menos, na frente das outras pessoas, principalmente em relação a José) e demonstra um humanismo tocante, passando por fases distintas de negação, resignação e aceitação que fazem com que se questione sobre sua concepção imaculada: terá sido benção ou castigo divino?
O filme também é, à sua maneira, uma homenagem ao divino feminino, sua importância na ordem de todas as coisas. Godard nos contempla com um filme polêmico, complexo, que exige sensibilidade de sua platéia. Trata-se de uma obra-prima atemporal, universal, como as questões tratadas durante a película. Infelizmente, a obra foi proibida em muitos países na época de sua estréia, e foi alvo de perseguições politico-religiosas até muito pouco tempo atrás. Por tais razões, permanece um de seus filmes menos conhecidos do grande público, ainda a ser descoberto pelas mentes criativas e ávidas por obras autorais de qualidade inquestionável como esta.
Reconheço não ser um grande conhecedor da obra de Jean Luc Godard, um dos grandes expoentes da Nouvelle Vague francesa, mas este filme aguçou meu apetite para, futuramente, devorar todos os seus filmes, da mesma forma que Godard nos mostra o quanto ama fazer cinema, sem o complexo de Deus de outros cineastas.
Nota:8,5
Daniel Hetzel
O filme também é, à sua maneira, uma homenagem ao divino feminino, sua importância na ordem de todas as coisas. Godard nos contempla com um filme polêmico, complexo, que exige sensibilidade de sua platéia. Trata-se de uma obra-prima atemporal, universal, como as questões tratadas durante a película. Infelizmente, a obra foi proibida em muitos países na época de sua estréia, e foi alvo de perseguições politico-religiosas até muito pouco tempo atrás. Por tais razões, permanece um de seus filmes menos conhecidos do grande público, ainda a ser descoberto pelas mentes criativas e ávidas por obras autorais de qualidade inquestionável como esta.
Reconheço não ser um grande conhecedor da obra de Jean Luc Godard, um dos grandes expoentes da Nouvelle Vague francesa, mas este filme aguçou meu apetite para, futuramente, devorar todos os seus filmes, da mesma forma que Godard nos mostra o quanto ama fazer cinema, sem o complexo de Deus de outros cineastas.
Nota:8,5
Daniel Hetzel



Sim,Godard... Gênio polêmico da "nouvelle vague"!De fato pra época inovador e corajoso.
Que bom que seus olhos irão se lançar por este universo de Godard! Creio, você também apreciará seus filmes apartir do Dziga Vertov, que se derramou por uma raiz política. E desde já, (não querendo ser pretenciosa ao indicar um filme a um tão grande conhecerdor de obras primas de senso crítico apuradíssimo)acho que vale à pena assistir a Jusqu'à la victoire (1970) e claro, a os outros por seu coração já conquistado por este cineasta magnífico.
"Ame o deixe-o!"
Abraço.