
Alice no país das maravilhas... Esse nome não necessita de apresentações. Portanto, não vou perder tempo contando o enredo dessa fábula infanto-juvenil que encantou inúmeras gerações desde que foi escrita no ano de 1865 por Lewis Carroll. A obra é, até os dias de hoje, considerada o maior símbolo da literatura surrealista e non-sense, sendo aclamada por muitos como A obra clássica da literatura inglesa. Teve inúmeras adaptações cinematográficas e televisivas. Entretanto, a intenção de Tim Burton era de recriar o mundo fantástico de Lewis Carroll à sua imagem, como vem fazendo cada vez mais frequentemente, em filmes como "A Lenda do Cavaleiro sem cabeça", "Planeta dos Macacos", "A Fantástica Fábrica de Chocolate", "Batman" e "Batman - o Retorno". À exceção dos filmes baseados no Cavaleiro das Trevas, todas as suas adaptações foram mal-sucedidas, ficando bem abaixo de seus originais. Alice no país das Maravilhas não foi diferente, infelizmente. Não nego que tinha expectativas altíssimas acerca deste filme, pois sou fã declarado da obra de Tim Burton e, mais ainda, de Alice, que considero uma das obras mais brilhantes da literatura mundial. A obra é repleta de nuances interpretativas, perfeita para se desfrutar quando criança e, melhor ainda, quando atingimos a vida adulta, quando começamos a entender várias de suas alusões satíricas e suas referências linguísticas e matemáticas, frequentemente colocadas na obra sob forma de enigmas, tornando um deleite à parte tentar desvendá-las ou até mesmo encontrá-las. Outro ponto importante sobre a obra é o seu tom, sombrio em demasia para uma obra infanto-juvenil, aumentando assim o fascínio do público adulto.
Tim Burton se consagrou com filmes que nitidamente imprimiam esse tom mais sombrio, como nos já clássicos "O Estranho Mundo de Jack", "Edward maõs de tesoura", "Beetlejuice - os fantasmas se divertem" e os já citados "Batman" e "Batman - O Retorno". Ele também se notabilizou em criar mundos fantásticos repletos de elementos e personagens inesquecíveis.
Depois de tudo que foi exposto, impossível não fazer a pergunta: Não parece o casamento perfeito, Alice no país das maravilhas e Tim Burton? Pessoalmente, acreditava que sim...
Infelizmente, a recente soberba de Burton de recriar tudo que já é consagrado, na tentativa de torná-la melhor, está, aos poucos, tornando-o motivo de piada. Burton é, indubitávelmente, uma das mentes mais criativas que surgiram em Hollywood nos últimos 20 anos. Criou uma das parcerias mais frutíferas do cinema com Johnny Depp e sua mulher Helena Bonham Carter. Porém, nem mesmo a combinação de todos esses fatores, que pareciam conspirar a favor de uma das mais belas adaptações de todos os tempos, foi insuficiente para fazer uma obra no mínimo eficiente.
O filme é um caleidoscópio, repleto de cores vivas e uma explosão de efeitos visuais, mas não consegue, surpreendentemente, prender a atenção do espectador em nenhum momento. A narrativa é monótona, os personagens perderam o carisma da história original, sendo reféns dos efeitos em 3D, que estão longe de impressionar como o fez Avatar. Inclusive os atores encontram-se superficiais e caricatos, principalmente Johnny Depp como o chapeleiro maluco e Anne Hathaway como a insossa rainha branca. Porém, justiça seja feita, Helena Bonham Carter é a única e grata exceção, fazendo com maestria habitual uma histérica e hilariante rainha de copas. Muito se fala em Johnny Depp mas, na minha humilde opinião, considero Helena Bonham Carter uma atriz muito mais talentosa e marcante, jamais caindo na pieguice ou no exagero, como Depp ocasionalmente faz.
Enfim, Alice decepciona do começo ao fim, frustrando um mundo inteiro de amantes da sétima arte, da literatura fantástica e, principalmente, aos tolos esperançosos que aguardavam ansiosos por aquele mundo repleto de magia do passado. Pelo jeito, a magia abandonou Tim Burton de vez, transformando um dos mais belos clássicos infantis num dos maiores naufrágios da história do cinema.
Nota: 5,0
Daniel Hetzel

Marcadores:
3D,
Alice no país das maravilhas,
Anne Hathaway,
Cinema,
Helena Bonham Carter,
Johnny Depp,
Lewis Carroll,
Tim Burton


É, de fato eu me decepcionei ao assistir Alice. Foi o livro que eu mais li na minha infância, era fascinada pela estória, justamente pela sua forma sinistra e amedrontadora, onde, todos os personagens, menos a Alice, eram sacanas, ou loucos demais pra se preocupar em ajudar os outros. Nesse filme de Tim Burton, os personagens se tornaram amiguinhos da Alice, prontamente dispostos a ajudá-la, arriscando-se muitas vezes para isso. Fiquei revoltada com isso, e nem os efeitos 3D me consolaram, pois foram fracos demais. Enfim, várias decepções...