"A Hora do Pesadelo" (Nightmare on Elm Street) é o novo remake baseado em um grande clássico do terror. E um novo remake desnecessário... Freddy Krueger iniciou sua trilha de sucesso com o primeiro filme da franquia, A Hora do Pesadelo, lançado em 1984, e escrito e dirigido por Wes Craven, um dos grandes nomes do terror hollywoodiano. O filme quebrava a falta de originalidade que dominava o setor, criando uma estória verdadeiramente interessante e aterrorizante: A idéia de sermos atacados por um maníaco imortal no local em que somos mais vulneráveis... nossos sonhos! Muita gente perdeu literalmente o sono nos anos 80 com medo das afiadas garras de Freddy e suas "brincadeiras" sádicas. Entretanto, por mais que seja um dos maiores ícones pop do terror mundial, Freddy cativou um maior número de fãs ao redor do mundo por uma de suas características mais marcantes: o humor negro.
É nesse quesito que existem as maiores divergências sobre a qualidade de seus filmes. Alguns fãs xiitas alegam que apenas o primeiro longa seria de qualidade inquestionável, pois Freddy assume um papel cada vez mais cômico ao longo das continuações. Porém, muitos outros (e eu me incluo neste grupo) consideram este lado irreverente de Freddy o grande diferencial de toda a franquia. É inegável a enorme contribuição do carismático ator Robert Englund, que carregou sozinho alguns dos filmes mais fracos da série. Wes Craven também foi decisivo em todos os melhores momentos de Freddy na telona, pois participou ativamente da produção/direção dos três melhores filmes ( A Hora do Pesadelo 1; A Hora do Pesadelo 3 - Os Guerreiros dos Sonhos; Novo Pesadelo - O Retorno de Freddy).

O novo longa de Freddy, além de ser o primeiro e único filme cujo ator Robert Englund não interpreta Krueger, sendo substituído pelo ator
Jackie Earle Haley (Pecados Íntimos), tenta nos transportar ao clima de terror absoluto do primeiro longa. Sem joguinhos, sem rodeios. Para aqueles que apreciavam o humor negro tão característico de Freddy, ficarão decepcionados com o resultado. O filme mostra sequências clássicas do original, como a cena da banheira, mas sem o mesmo efeito. É a grande diferença entre filmes que dão sustos e filmes que assustam. A importância da cidade Springwood e, principalmente, da rua Elm, são relegadas a terceiro plano, sem interferência alguma na trama.

O grande diferencial de "A Hora do pesadelo" tinha sido sua originalidade. Este remake tornou Freddy um vilão comum, sem carisma, sem estrela. Apenas um mostro imaginário, como tantos outros... Uma pena!

Nota: 5,0
Daniel Hetzel



A Hora do Pesadelo (1984): Onde tudo começou. Até hoje é considerado o melhor filme da saga pelos críticos. Neste primeiro capítulo, presenciamos um Freddy Krueger muito menos brincalhão, bem mais aterrorizante. Mortes antológicas, personagens carismáticos, bom elenco (incluindo a estréia cinematográfica de Johnny Depp) e uma direção firme e criativa de Wes Craven. Marcou época no imaginário dos jovens dos anos 80. Foi eleito um dos melhores filmes de terror da história do Cinema.



A Hora do Pesadelo 2 - A Vingança de Freddy (1985): Foi o primeiro filme da série sem a participação do criador Craven (que era contra sequências). Isso se reflete na falta de criatividade do roteiro e da direção. O ator protagonista é muito inferior à atriz do primeiro longa, Heather Langenkamp, e não consegue, em momento algum, convencer o espectador. Verdadeiro fracasso de público e crítica. Na minha opinião, o pior filme da série.




A Hora do Pesadelo 3 - Guerreiros de Sonhos (1987): Depois do fiasco do segundo filme, Wes Craven volta ao universo que criou como roteirista e produtor, deixando a direção a cargo de Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade, À Espera de um Milagre). Contando com um bom elenco, incluindo Patricia Arquette, Laurence Fishburne e Heather Langenkamp (Nancy, a protagonista sobrevivente do primeiro longa), ótimos efeitos especiais, roteiro mais coeso com a estória original, temos um ótimo filme. Um dos melhores momentos de Freddy.


A Hora do Pesadelo 4 - Mestre dos Sonhos (1988): A partir deste filme, o roteiro parece não importar mais, tudo servindo como justificativa para que a estrela de Freddy apareça nas telas do cinema. O terror virou secundário, sendo muito mais cômico do que qualquer outra coisa. O elenco ficou fraco, mas ainda conta com a beleza e carisma de sua atriz principal, cujo personagem "herda" seus poderes da heróina do filme anterior e passa a ser perseguida por Freddy. Os efeitos especiais ainda continuam ótimos pelo menos. E o humor negro de Freddy permanece mais afiado que nunca. Vale a pena se você não levar o filme a sério.

A Hora do Pesadelo 5 (1989): Freddy tenta voltar à vida por meio do feto da protagonista do quarto filme. Não precisa comentar mais nada sobre a proposta do filme... Sem pé nem cabeça! O longa só serve para revelar a horrenda origem de Krueger, fruto do estupro da enfermeira Amanda Krueger por dezenas de internos em um manicômio. Um dos piores filmes da saga, na minha opinião. Só não supera o trash do segundo...




O Pesadelo Final: A Morte de Freddy (1991): Este é, de fato, o último filme da saga. Cria-se um clima de despedida, onde alguns atores convidados participam com micro-aparições divertidas (Johnny Depp, Alice Cooper, Roseanne...). Pena que escreveram um péssimo roteiro para a conclusão da série. Descobrimos que Freddy tinha uma filha, e que ele perdeu a guarda da criança durante seu julgamento pelos crimes na rua Elm. Eis que ele volta para atormentar os sonhos de sua própria filha!! Sem dúvidas, um dos piores da saga. Desta vez, não se salva quase nada.


O Novo Pesadelo (1994): Devido ao péssimo final do filme anterior, que serviria para fechar a saga de Freddy Krueger, Wes Craven decide, novamente, intervir para tentar salvar a dignidade de sua criação. Desta vez, nos deparamos com um roteiro inteligente, diferente de tudo que se viu na série. Ele mostra o que aconteceria se Freddy deixasse a ficção para perseguir Heather Langemkamp, a atriz que interpretou a Nancy do filme de 1984, na vida real. Ótimas tiradas de humor negro, direção firme. Feito em comemoração aos 10 anos da série. Vale a pena, desde que esteja preparado para ver uma perspectiva diferente dos personagens e da estória. Na minha opinião, um dos mais originais.


3 Responses
  1. Este comentário foi removido pelo autor.

  2. Bruna Says:

    Não gostei do remake, pois freddy sem humor negro não assusta ninguém. Quanto aos outros filmes, gostei de todos, menos do 2, realmente a estória é muito ruinzinha, mas todos os outros, incluindo o do feto, eu achei que valeram a pena. O mais legal dos filmes antigos é que eu não preciso prender a respiração com medo dos sustinhos que levei a toa no remake. Acho algo desnecessário nos filmes de hoje em dia, perde o foco da estória. Muito mais legal é você ter medo de Freddy quando vai dormir, e não em frente à TV.


  3. Lila Says:

    Concordo em parte com o comentário acima... A hora do pesadelo sem o humor negro de Freddy não acontece, daí o terror original vira filme de assassinato puro e simples assim.E eu odeio ele(Freddy) por ser assim tão sacana!
    Claro, suspense e sustos na medida certa são temperos, demais é tentativa de infartar alguém!
    Pelo o "último"(penúltimo?)filme da série ter passado pelas mãos de Wes Craven, será que vale à pena sujar as minhas recordações com este novo???


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