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Direito de Amar (A Single Man, 2009): Dirigido pelo estreante Tom Ford, estilista de moda que abraçou o projeto a ponto de financiar parte dos gastos. Baseado no romance homônimo de Christopher Isherwood, o filme narra a vida de um professor Britânico gay erradicado na California da década de 60, que tem que lidar com a farsa que se tornou sua vida e a trágica morte de seu grande amor. O elenco tem como protagonistas os excelentes Colin Firth e Julianne Moore, ambos em papéis memoráveis, recompensados com diversas indicações de melhor ator e atriz coadjuvante, incluindo o Oscar (para Colin Firth) e Globo de Ouro (para ambos). Colin Firth ganhou o BAFTA de 2010 de melhor ator. Bela fotografia e trilha sonora poderosa ajudam a ditar o ritmo da obra, que apesar de lento, traduz de forma eficaz a percepção de seu personagem principal. Nota: 7,5


Oscar e Lucinda, uma História de Amor(Oscar e Lucinda, 1997): Dirigido por Gillian Armstrong e baseado em livro homônimo de Peter Carey. O filme se passa na Austrália e Inglaterra do século 19 e narra a vida de um pastor anglicano viciado em jogo que encontra sua alma gêmea numa mulher de grande espírito livre, herdeira de grande fortuna mas também compulsiva por jogo. Estrelado por Ralph Fiennes e Cate Blanchett nos papéis principais, e Tom Wilkinson vivendo o mentor religioso de Fiennes. As atuações de Fiennes e Blanchett estão arrebatadoras, como sempre. A fotografia é lindíssima, mostrando as belas paisagens australianas. Porém, o enredo é confuso, as situações não convencem o espectador, paradoxalmente ás interpretações incrivelmente verossímeis de Fiennes e Blanchett, Uma pena. Fica a sensação que poderia ter ido mais longe.
Nota: 6,0

A Balada de Jack e Rose (The Ballad of Jack and Rose, 2005): Dirigido por Rebecca Miller, conta a estória de um amor entre pai e filha que ultrapassa as barreiras aceitas pela sociedade. Eles vivem isolados do mundo moderno em uma pequena ilha dos Estados Unidos, no que restou de uma pequena comuna hippie dos anos 60 e seus ideais naturalistas. Estrelado por Daniel Day Lewis e Camilla Belle e, como coadjuvantes, os sempre competentes Catherine Keener e Beau Bridges. Apesar da boa idéia, o enredo nunca engata verdadeiramente, faltando sempre uma boa dose de sentido. Percebe-se um esforço demasiado na tentativa de uma abordagem diferente sobre a temática do naturalismo, mas sentimos uma falta de coesão permeando a obra de forma geral. Day Lewis é, evidentemente, o grande destaque, sendo a peça da engrenagem que ainda consegue dar um pouco de credibilidade á trama. Nota: 5,5

Daniel Hetzel
O roteiro do filme "Um sonho possível" (The Blind side) é tão improvável que mais parece vindo da mente de um escritor de novelas mexicanas, das mais piegas. Jovem negro americano de 1,95m de altura e 140kg, oriundo de uma família destruída, tem sérios problemas de adaptação na escola, apresentando dificuldades cognitivas importantes, não se encaixando em nenhum círculo social. Sobrevive dormindo clandestinamente no ginásio de sua escola, até ser descoberto pela socialite e ex-líder de torcida Leigh Anne Tuohy, casada com um empresário bem sucedido e mãe de um casal de pré-adolescentes. Típica família branca americana republicana do sul dos Estados-Unidos. Eis que esta mesma família, aparentemente conservadora, decide adotar o jovem Michael Oher que, até mesmo pelo seu porte físico, demonstra talento nato pelo futebol americano.
Soa absurdamente improvável, não? Pois o lado surpreendente é que este enredo é baseado em fatos reais! Talvez por este motivo, o drama tenha sido alavancado às listas de melhores filmes do ano e, Sandra Bullock, recebido os maiores louros pelo seu papel como a corajosa decoradora de interiores que arrisca quase tudo ao apostar todas as fichas na metamorfose de seu novo protegido. Ela degladia contra tudo e todos, e se torna a grande responsável pelo "insight" decisivo que inicia a transformação de Michael Oher, até então um jovem "borderline", em grande jogador de futebol americano, mudando sua vida para sempre.
Sandra Bullock foi aclamada pelos principais prêmios de melhor atriz, incluindo o Globo de Ouro de melhor atriz dramática, o Oscar de melhor atriz e o prêmio do sindicato dos atores (SAG). Muito se debateu sobre a validade de tamanha exclamação e, na minha opinião, a resposta é simples: Qualquer outra boa atriz dramática que interpretasse a personagem de Leigh Anne jamais teria tido a mesma repercussão. Sandra Bullock, no entanto, comoveu aos críticos pelas suas raízes oriundas de comédias românticas bobinhas e, neste filme, demonstra um bom potencial dramático. Em termos de técnica interpretativa, galáxias ainda a separam de outras atrizes dramáticas, principalmente se for comparada à Meryl Streep e Hellen Mirren, também indicadas para o Oscar deste ano. Veremos se Sandra Bullock inicia, depois do incentivo dourado, uma investida consistente em filmes "sérios" em Hollywood. Potencial ela demonstrou que tem...

Nota: 7,0
Daniel Hetzel