

Broadway Danny Rose (Broadway Danny Rose, 1984) é um filme escrito e dirigido por Woody Allen que conta a estória de um agente de artistas fracassado, porém muito dedicado, que sempre acaba se envolvendo nas intimidades de seus clientes. Quando conhece o cantor Lou Canova, ele enxerga a oportunidade de finalmente alcançar o estrelato, mas acaba entrando exageradamente em sua vida particular, tentando resolver seus dilemas com a amante (interpretada por Mia Farrow). Aí começam os reais problemas, ao se meter com a máfia italiana e a conseqüente frustração ao perder seu maior cliente, mesmo após tanta dedicação. O roteiro é, como quase todos os filmes de Allen da época, inteligentíssimo e original. Porém, diferentemente de suas obras-primas, Broadway Danny Rose possui ressalvas. Ficamos sempre na expectativa que o filme engrene, mas isso acaba não ocorrendo. O diretor faz uso muito mais escasso de suas belas metáforas e subtextos geniais que aprendemos a amar no seu humor crítico e existencialista. Desta vez, não temos muito o que buscar nas entrelinhas, o que perde metade da graça, em se tratando de Woody Allen. Se conseguirmos esquecer por um momento que se trata de um de seus filmes e o rebaixarmos a um longa "normal", pode tornar-se muito agradável de assistir. A interpretação de Mia Farrow está brilhante, sendo o destaque do filme. Nota: 6,5

Memórias (Stardust Memories, 1980) é um filme escrito e dirigido por Woody Allen que narra a estória de um famoso cineasta que passa por um momento de crise existencial, ao querer explorar as grandes questões humanísticas e filosóficas em sua obra, mas é friamente recebido por crítica e público, que preferem suas comédias de início de carreira. O filme é talvez o mais auto-biográfico de seus longas, sendo também um dos mais ácidos, mas no melhor dos sentidos. Beira o incompreensível tal filme ter permanecido na filmografia secundária de Allen, tamanha genialidade em preto e branco. Os diálogos estão sensacionais, entre os melhores escritos de sua carreira. Seu humor nunca esteve tão crítico e irônico, proporcionando situações hilariantes e incrivelmente sensíveis ao mesmo tempo. Allen também nunca explorou de forma tão acessível (comparado ao não menos genial mas difícil "Interiores") e brilhante seus grandes questionamentos existencialistas, sendo o principal - qual o sentido da vida? - inesquecivelmente respondido na última seqüência do filme. Vale mais do que muita psicoterapia por aí, e é por obras como essa que Woody Allen se tornou um de meus grandes ídolos do Cinema em todos os tempos. Absolutamente imperdível, para ver e rever em diversas fases de nossas vidas. Nota: 9,0
Curiosidades: Memórias é creditado como o filme de estréia da famosa atriz Sharon Stone. Tentem achá-la, pois ela aparece em uma única e breve cena, sem falas.
A seqüência final, em que Allen fecha com chave de ouro este grande filme, é uma das mais belas evocações de amor que já presenciei nas telas. Reza a lenda que a personagem foi inspirada em sua primeira esposa, Louise Lasser.


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